Perguntas Frequentes

O que é um probiótico?

Probióticos são culturas de microrganismos viáveis contendo uma ou mais espécies que, ao serem administradas nas doses recomendadas, demonstram efeitos benéficos à saúde do hospedeiro (FAO/WHO 2001).

Diferentes espécies e diversas cepas de microrganismos estão disponíveis comercialmente como probióticos, os quais podem se apresentar tanto como produto de cepa única quanto multi espécies. É importante frisar que o probiótico ideal é aquele que não é patogênico ao hospedeiro, ser espécie-específico e ter capacidade de ultrapassar o ambiente ácido do suco gástrico e chegar ao intestino, onde o hospedeiro receberá os efeitos positivos do probiótico.

O que é exatamente um produto de exclusão competitiva?

Exclusão Competitiva (EC) é a terminologia utilizada para descrever os efeitos protetivos promovidos pela microbiota natural ou nativa do intestino, que consistem em limitar a colonização de bactérias patogênicas, especialmente aquelas do gênero Salmonella spp. (OIE 2010). Desta forma, produtos EC consistem em um pool de microrganismos intestinais não patogênicos, obtidos a partir de aves adultas saudáveis, podendo conter mais de mil espécies bacterianas diferentes, das quais cerca de 90% considera-se incultiváveis isoladamente ou ainda não classificadas.

Como os probióticos são produzidos?

Quando produzidos pelo processo de fermentação anaeróbica (ou em condição de microaerofilia), probióticos/EC são capazes de colonizar várias partes do Trato Gastrointestinal (TGI), inclusive os cecos. Produtos obtidos por fermentação aeróbica são capazes de colonizar o intestino delgado, porém são mais raros nos cecos, onde os níveis de oxigênio se aproximam de zero.

Probióticos (DFM ou NAGF) podem ser revestidos por uma ou mais camadas de polímeros. Estas camadas são fortemente aderidas aos microrganismos, protegendo-os do ambiente ácido do proventrículo e favorecendo sua liberação no terço médio do TGI. Além disso, o revestimento faz com que os microrganismos sejam mais termorresistentes (importante, por exemplo, no processo de peletização da ração) (Kabir, 2009).

Como agem e quais são os benefícios relacionados ao uso de produtos probióticos/EC?

⦁ Produção de substâncias antibióticas, principalmente ácidos orgânicos e bacteriocinas;

⦁ Quebra de moléculas complexas ingeridas pela ave, favorecendo a digestão e aproveitamento;

⦁ Produção de vitaminas;

⦁ Competição com bactérias patogênicas por espaço e sítios de adesão no intestino;

⦁ Competição com bactérias patogênicas por nutrientes. Bactérias probióticas não competem com a ave por nutrientes; bactérias probióticas utilizam nutrientes de baixa disponibilidade ou indisponíveis à ave, tais como polissacarídeos não-amiláceos- que interferem negativamente no desempenho zootécnico das aves;

⦁ Melhoria da função imunológica no intestino. O intestino é conhecido como o maior órgão imunológico do corpo, uma vez que há uma maior quantidade de tecido linfoide associado ao intestino (GALT) quando comparado a qualquer outra estrutura anatômica;

⦁ Melhoria da saúde intestinal com aumento da integridade da barreira epitelial e altura das vilosidades. Nos cecos, os efeitos destacados são: aumento da profundidade das criptas, com células mais definidas devido à maior diferenciação celular;

⦁ Redução da presença de bactérias patogênicas (especialmente Salmonella spp.).

⦁ Efeitos promotores de crescimento, bem como diminuição das taxas de conversão alimentar e mortalidade;

⦁ Manutenção do desempenho zootécnico em aves submetidas a jejum prolongado após o nascimento;

⦁ Redução da taxa de condenação de carcaça no abatedouro (especialmente condenação de carcaça devido à pododermatite).

Qual a importância de usar um produto específico para aves?

Na natureza, quando o ovo eclode embaixo da galinha e o pintinho nasce, bactérias provenientes da ave adulta saudável liberadas nas fezes são ingeridas pelo pintinho, agindo como inóculo natural, e proporcionando a ele uma microbiota semelhante à da mãe. Quando se administram probióticos, a intenção é mimetizar a contaminação natural o mais precocemente possível, levando em conta que as relações entre as diferentes estirpes bacterianas é altamente complexa e depende da interação específica entre elas e com o hospedeiro. A microbiota obtida de aves, visando a administração na mesma espécie, é mais vantajosa devido à sua máxima semelhança com as condições naturais (Cisek & Binek, 2014; Ribet & Cossart, 2015).

Como probióticos /EC podem ser administrados?

As vias de aplicação mais comuns são: spray (no incubatório), água de bebida e ração (Mansoub et al., 2011).
Também indicamos algumas possibilidades inovadoras com relação à aplicação de probióticos: Colostrum Plus®, mini-pellets administrados como primeiro alimento a pintos recém-nascidos, e Colostrum Bio 21 Líquido®, para administração in ovo ao 18º dia de incubação, associado às vacinas contra infecções virais administradas no incubatório. Colostrum Bio 21 Liquido® foi testado em mais de 40 nascimentos, em duas grandes empresas brasileiras, e os resultados foram extremamente favoráveis a essa via de administração.

Qual é o melhor momento para se utilizar um probiótico/EC?

Aves incubadas artificialmente apresentam microbiota intestinal empobrecida. As primeiras bactérias às quais as aves são expostas são aquelas presentes na planta de incubação, bandejas de nascimento, na caixa de pintos e na cama do aviário. As primeiras bactérias a chegarem ao intestino, normalmente são aquelas que ali colonizarão e se estabelecerão. Tendo isso em mente, o melhor momento para se administrar probióticos é: o quanto antes possível!

O uso de probióticos é altamente recomendado para aves jovens e adultas, de forma a restaurar a microbiota protetiva depois de qualquer situação que represente um desequilíbrio nos microrganismos do intestino, podendo ser uma doença, estresse durante o transporte, manipulação das aves, vacinação, muda forçada, ou ainda devido ao calor ou ao frio.

Quais tipos de probióticos e produtos EC estão disponíveis comercialmente?

Probióticos e produtos de EC são classificados de acordo com sua composição. Podem ser chamados apenas de probióticos, ou probióticos definidos, quando sua composição envolve apenas cepas ou espécies bacterianas identificadas; internacionalmente, são conhecidos como DFM (“Direct-Fed Microbial”). Produtos que contém incontáveis espécies de bactérias são chamados de Exclusão Competitiva, ou probióticos indefinidos, sendo internacionalmente reconhecidos como NAGF (“Normal Avian Gut Flora”) (OIE 2015).