Fundamentações Técnicas voltar

O que são Probióticos?

(Promotores biológicos)

O termo Probiótico foi proposto pela primeira vez em 1965. Atualmente, utiliza-se o termo Probiótico para designar suplemento alimentar composto de cultura pura ou composta de microrganismos vivos, com a capacidade de se instalar e proliferar no trato intestinal, com ação de promotores de crescimento, beneficiando a saúde do hospedeiro pelo estímulo às propriedades existentes na microflora natural.

Modernamente, a arrancada para o uso dos Probióticos no controle da infecção de aves por salmonelas foi dada por um trabalho realizado por pesquisadores Finlandeses (Nurmi & Rantala, Nature, 1973). Em seus experimentos, os autores observaram que o conteúdo intestinal de aves adultas normais, administrado oralmente às aves com um dia de idade, alterava sua sensibilidade à infecção por Salmonella spp., prevenindo o estabelecimento desta no intestino. Esta idéia foi conceituada como "Exclusão Competitiva" e tornou-se conhecida como o "conceito de Nurmi". A colonização intestinal por outros patógenos como Escherichia coli e Campylobacter spp., também, pode ser prevenida pelos Probióticos. Na mesma época, outros autores demonstraram também que a aplicação de Probiótico constituído por L. acidophilus melhorava a conversão alimentar e o ganho de peso em aves tratadas (Tortuero, Poult. Sci. 1973).

A moderna exploração avícola, com finalidade de produção de carne e ovos praticamente "esteriliza" o ovo de incubação. E, é conceito de produção que o pinto de um dia deva conter o menor índice de contaminação possível de qualquer natureza. As técnicas modernas de criação avícola exigem um ambiente de criação inicial com uma qualidade bacteriológica da água e rações, que dificultam e retardam o estabelecimento de uma microflora intestinal, não poderia ser diferente, devido aos seus riscos potenciais. Parte destes riscos tem sido minimizada pelo uso dos chamados "promotores de crescimento". Contudo, em condições normais a natureza tem nos ensinado que os pintos têm contato imediatamente ao nascer com as fezes da mãe, como a primeira fonte de "alimento". Isto não acontece por acaso. As fezes das "mães" dos pintos contêm elementos extremamente importantes na imunoproteção, estímulo ao desenvolvimento e funcionamento do trato digestivo das aves jovens. Probióticos e Prebióticos representam o avanço tecnológico, transferindo os efeitos benéficos propiciados pela natureza e aplicando-os às criações industriais.

Microflora intestinal de aves
A microflora intestinal das aves é composta de inúmeras espécies bacterianas, formando um sistema complexo e dinâmico. Aquelas que colonizam o trato intestinal no início, tendem a persistir ao longo da vida da ave, passando a compor a microflora intestinal. A formação desta microflora se dá imediatamente após o nascimento das aves e aumenta durante as primeiras semanas de vida, até se tornar uma população predominantemente de bactérias anaeróbias.

Os principais gêneros identificados na microflora cecal de aves são: Bacillus, Bacteroides, Bifidobacterium, Citrobacter, Clostridium, Enterobacter, Enterococcus, Escherichia, Eubacterium, Fusobacterium, Lactobacillus, Lactococcus, Pediococcus, Peptostreptococcus, Propionibacterium, Ruminococcus, Serratia, Veillonella e Streptococcus.

A persistência e a manutenção destas bactérias no trato intestinal se fazem de duas formas principais: (i) fixadas ou em íntima associação com o epitélio intestinal, se multiplicando mais rapidamente do que sua eliminação pelo peristaltismo intestinal. É o caso típico de algumas espécies de Lactobacillus e Enterococcus. Outras (ii) se encontram livres na luz intestinal, pela sua incapacidade de aderir ao epitélio intestinal. Neste caso, sua permanência se dá pela agregação a outras bactérias, que por sua vez estão aderidas à mucosa entérica.

Qualquer fator que leve ao desequilíbrio da microflora intestinal, como o uso de antimicrobianos e estresse de qualquer natureza, poderá permitir a instalação e a multiplicação de microrganismos patogênicos. Logo, fica evidente que o equilíbrio da microflora intestinal, reflete diretamente em um bom estado de saúde do hospedeiro.

Tabela 1 - Ação de bactérias benéficas e prejudiciais no trato digestivo de humanos

Bactérias benéficas

Bactérias prejudiciais

  • Inibição do crescimento de bactérias patogênicas;
  • Estímulo às funções do sistema imune;
  • Redução na distensão por gases;
  • Melhor digestão e absorção de nutrientes essenciais;
  • Síntese de vitaminas
  • Diarréia;
  • Infecções;
  • Danos hepáticos;
  • Carcinogênese;
  • Putrefação intestinal

Os Probióticos podem conter bactérias totalmente conhecidas e quantificadas ou, culturas bacterianas não definidas. Enterococcus, Bacteroides, Eubacterium e especialmente Lactobacillus e Bifidobacterium estão presentes em todas as misturas de culturas definidas. Quando as bactérias com capacidade Probiótica, são retiradas (isoladas) do seu habitat convencional e subcultivadas e/ou liofilizadas, algumas das suas propriedades são perdidas. Por outro lado, não se conhece ainda nem a composição total, nem a perfeita combinação entre elas que melhor estimula as propriedades Probióticas "in vivo". Estas são as razões pelas quais os produtos com culturas não definidas têm melhor ação Probiótica que as culturas definidas.

Aparentemente, um número maior de espécies bacterianas determina um Probiótico mais efetivo. Só a partir de quatro espécies de bactérias é que se evidencia alguma proteção. Nas misturas contendo mais de 20 espécies, a proteção tende a ser mais efetiva. Culturas contendo em torno de 50 espécies bacterianas teriam mais chances de manter o equilíbrio da microflora intestinal. As culturas definidas procuram combinar diversas espécies de bactérias que mostram ação sinérgica "in vitro". Estas combinações variam de 28 até 65 espécies bacterianas. Há necessidade que as bactérias sejam hospedeiro-específicas, a fim de que a máxima eficácia do produto seja atingida. Ou seja, bactérias com ação Probiótica em suínos pode não ter ação em aves.

A ação benéfica dos Probióticos de uso em avicultura se faz em duas formas principais: (i) Determinando melhores índices zootécnicos, maior produtividade, aumento no ganho de peso e melhor conversão alimentar; (ii) redução da colonização intestinal por alguns patógenos, como a Salmonella, p.ex.

Propriedades desejáveis de um Probiótico:

  • Possa ser estocado e com sua viabilidade mantida até o momento de uso;
  • Tenha condições de permanecer no ecossistema intestinal;
  • Hospedeiro animal seja beneficiado pelo seu uso.

Como agem os Probióticos:

Várias ações benéficas são atribuídas ao uso dos Probióticos. Algumas são apontadas na Tabela 2. Entretanto, seu mecanismo de ação ainda não está inteiramente elucidado. Entre os principais modos de ação dos Probióticos, estão descritos:

(a) Competição por sítios de ligação;
(b) Produção de substâncias antibacterianas;
(c) Competição por nutrientes;
(d) Estímulo do sistema imune.

Sabe-se que há um sinergismo entre estas ações:

a. Competição por sítios de ligação. Este conceito ficou conhecido também com o nome de "Exclusão Competitiva". As bactérias dos Probióticos ocupam dos sítios de ligação (receptores ou pontos de ligação) na mucosa intestinal formando uma barreira física às bactérias patogênicas. Assim, as bactérias patogênicas seriam excluídas pela competição.

b. Produção de substâncias antibacterianas. Bactérias dos Probióticos produzem compostos como as bacteriocinas, ácidos orgânicos - ácidos graxos voláteis de cadeia curta (propiônico, acético, butírico, láctico) e peróxido de hidrogênio, que têm ação antibacteriana, especialmente em relação às bactérias patogênicas. As bactérias dos Probióticos se nutrem de ingredientes que não foram total ou parcialmente degradados pelas enzimas digestivas normais ou, foram intencionalmente adicionados à dieta. Estas substâncias, intencionalmente adicionadas com a finalidade de "alimentar" as bactérias dos Probióticos, são conhecidas como Prebióticos e será motivo de discussão mais detalhada, adiante.

Tabela 2 - Ações benéficas atribuídas ao uso de Probióticos

  • Auxílio na digestão e absorção de nutrientes (envolvimento na bioquímica intestinal, especialmente em relação à ação sobre os sais biliares);
  • Ação inibitória no crescimento de bactérias patogênicas (produção de bacteriocinas que agem inibindo o crescimento de outras bactérias);
  • Produção de lactato e acetato que reduzem o pH do meio, exercendo efeito antibacteriano;
  • Produção de metabólitos que inibem bactérias Gram negativas e positivas patogênicas;
  • Produção de vitaminas do grupo B;
  • Estímulo do sistema imune através da ativação dos macrófagos;
  • Ativação do sistema imune contra células malignas;
  • Restauração da microflora intestinal após antibioticoterapia.

c. Competição por nutrientes. A escassez de nutrientes disponíveis na luz intestinal que possam ser metabolizados pelas bactérias patogênicas é um fator limitante de manutenção das mesmas neste ambiente.

d. Estímulo do sistema imune. A defesa imunológica do hospedeiro está diretamente relacionada com a microflora intestinal. Um animal ou homem simplesmente não consegue sobreviver se não desenvolver uma microflora intestinal normal. Algumas bactérias dos Probióticos estão diretamente relacionadas com o estímulo da resposta imune, através do aumento da produção de anticorpos, ativação de macrófagos, proliferação de células T e produção de interferon, entre outros.

Como aplicar os Probióticos:
A via de administração dos Probióticos pode também determinar uma melhor ou pior capacidade de colonização intestinal pelas bactérias presentes no produto utilizado. Independente da via, os Probióticos devem ser administrados às aves o mais precocemente possível, a fim de que as bactérias presentes no produto colonizem e se multipliquem no trato intestinal do hospedeiro, iniciando suas atividades benéficas antes deste ser contaminado por algum patógeno.

Os Probióticos podem ser administrados às aves de várias maneiras:

  • Adicionado às rações;
  • Pela adição em água de bebida;
  • Pulverização sobre as aves;
  • Inoculação via cloaca;
  • Inoculação em ovos embrionados;
  • Através da cama usada;
  • Em cápsulas gelatinosas;
  • Experimentalmente, via intraesofagiana.
R. Rui Ildefonso Martins Lisboa, 601 Campinas - SP Brasil 13082-020 | PABX: +55 (19) 3246-1735